Terça-feira, Novembro 24, 2009

Hoje é dia de café

Bom, como toda terça-feira estou no Fluoxetina com Café, dêem uma passada por lá caso não há mais nada de interessante para você fazer. Portanto, aqui no Cranberry Sauce, nada por hoje, apenas um recado de quem faz da inclusão digital um carnaval. Eu fico indignado (no sentido de desprezo) com este tipo de comentário em meus textos: "Olá, estava fuçando em alguns blogs acababei encontrando o seu! Quando puder dá um pulinho lá!!". Este tipo de opinião me faz enxergar muito mais além do que eu mesmo escrevoi. Obrigado.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Ela


Resposta

Marcelo Mayer


Da pergunta nasceu

Sem rebate vive

Diz ser a retórica

A complexidade

O sonho que estremeceu

A noite que a consola

Poema de teu próprio corpo

De tua própria rima


Por vivência, exprime

Por elegância faz o conforto

E da lágrima a malícia

Do simplório me questiono

De teu corpo me convenço

Que és bela, não por teus olhos

Mas por tua fotografia

Que me revela e me hesito

A pensar o que ouso em pensar

A dizer o que realmente penso


Porque tu és a boca que me canta

Tu és meu vício na poesia

E na rima, onde teu porto é meu seguro

Eu me arrisco

E teu desejo me inflama


Sábado, Novembro 21, 2009

Shine on


Syd Barrett! Sim, o louco diamante imortalizado em belas canções do Pink Floyd. Domesticado pela própria loucura? Prefiro ter em minhas lembranças um jovem talentoso que soube fazer cada acorde gritar, cada nota vibrar e cada palavra me intrigar.

Barrett morreu dia 07 de julho de 2006 e talvez tenha sido mais uma de suas façanhas. Foi embora sem avisar para aguçar ainda nossa imaginação e nos fazer pensar como seria seu último acorde, uma última melodia. Prefiro acreditar que tenha sido isto. John Lennon certa vez disse que "Barrett não foi uma grande influência para o rock. Ele poderia ter sido". Lennon estava errado, Talvez porque não viveu o suficiente para perceber seu erro. Barrett deixou uma herança musical que daqui a cem anos ainda vão discutir sua obra. Seja com o Pink Floyd ou em gravações solo. O lirismo em suas letras (tão relacionados aos ingleses) nos faz pensar como ingênuas crianças. O quê dizer da música Bike? “Eu tenho uma bicicleta com um cesto, detalhes lindos. Eu poderia te emprestar, mas não é minha”. Poucas palavras, mas o suficiente para criar uma fantasia e de repente nos tirar dela. E Barrett sabia brincar com isso e muito bem!

Também foi responsável por toda roupagem criada pelo Pink Floyd nos primeiros anos de banda. E por que não dizer de toda carreira? Todas as suas atitudes musicais e lisérgicas influenciaram as grandes obras-primas do Floyd. Dark Side of The Moon, Wish You Were Here e até mesmo a personagem “Floyd” do filme The Wall. Syd estava presente em todos estes momentos. Tudo que se ouve hoje no rock tem um dedo de Barrett. De Radiohead a Strokes há um acorde criado por ele.

Barrett ficou louco. Louco por criar arte. Insano? Acredito que não. Barrett não nos ensinou a olhá-lo como louco. Nunca quis isso. Ele exagerou no psicodelismo, mas pelo menos não se matou da própria arte. Carregou pelo resto da vida o peso por ser chamado de “olhos como buracos negros”. Bom, mas não quero homenagear Barrett, o músico “porraloca”. Quero apenas descrever qual foi a maior lição que aprendi com ele.

Sua maior contribuição não foi a música, mas sim o fato de ter saído dela sem ter criado ruptura. Enlouquecido durante os anos 1970, mas depois apenas abandonou todos os anos 1960 para ter uma vida a qual muita gente sonha. Pintar, cuidar de jardins, visitar museus (informação tirada na biografia de Barrett co-escrito por sua irmã). Comprar jornal de manhã, ser simpático com as pessoas e fazer crianças rirem. Não era mais Syd e sim Roger Barrett, mas os olhos de Syd sempre estavam presentes. Agora, é louco um homem que tenta se curar compartilhando as coisas simples da vida? Acho que não.

O maior problema são as pessoas acharem a genialidade dele só pela loucura e esquecem que ele foi um ser - humano. A mesma coisa acontece por aqui, no Brasil, com Arnaldo Baptista. E acontece com milhares de artistas o que aconteceu com Barrett. Ao invés de prestarem a atenção na arte, procuram respostas na loucura dos outros. Loucos somos nós. A loucura que muita gente faz questão de cultivar criou um mito e esqueceu-se de ouvir um homem.

Chega de ler. Ouça! Pode até não gostar, e entendo. Mas deve-se respeitá-lo.

The Madcap Laughs - 1970

Barrett - 1971

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Carta para Arthur


Meu caro! Deve estar se perguntando o porquê desta carta destinada a você. Estou perdendo meu tempo? Não! Agradeço a sua imbecilidade da forma que opina sem base ou conhecimento algum em meu espaço. Agradeço sua perda de tempo em dar ibope aos meus textos. Isto mostra o quanto te incomodo. E pode apostar! Eu adoro isso. Gosto de jogar na cara de pessoas como você tudo o que penso. Porque uma agressão a minha pessoa mostra o quanto você não tem nada a dizer e por isso precisa criar uma máscara porque tem vergonha do que escreve, justamente por escrever nada mais nada.

Você acha que discussão é partir para cima com qualquer pedaço de pau ou um soco na cara. Por isso você é uma pessoa frustrada nos próprios ideais. Eu tenho ideal. Não levanto bandeira do socialismo, comunismo, capitalismo e tantos outros ismos por ai. Eu levanto a minha bandeira. Eu sou um homem qualquer que corre atrás todo dia das coisas para sobreviver. Eu tenho defeitos, erros, cometi erros. Mas não preciso me desculpar a ninguém que não esteja se importando comigo. Darei satisfação a quem se preocupa e a quem me ama. Você me chama de universitário com ideais filantrópicos baratos. Ora, se eu te incomodo tanto, por que se preocupa em vir até aqui e agredir meus leitores?

Você chama de meu texto de “dissertação de ensino médio”. Falou o intelectual, não? Quem me dera se um garoto de dezesseis anos, principalmente das instituições públicas, pudesse escrever desta forma. Quem dera este aluno pudesse ter a oportunidade de escrever o que pensa. Mas não! Porque pessoas como você o priva de conhecimento e ao invés de debater e discutir determinado assunto, você e seus coleguinhas agridem, ofendendo a mim e a quem me visita. E pode ter certeza que este espaço é usado para criar discussões sadias. Há pessoas que discordam do que penso. Ótimo! Porque elas dizem o motivo e com certeza a opinião delas me acrescenta. Agora, não ler o texto e me chamar de universitário com ideais filantrópicos? É pedir para todos que frequentam aqui rir da sua cara. Um blog não é apenas para poemas, o que fiz em meu dia ou declarações de amor. É também para abrir espaços para determinados assuntos que estão na nossa cara e muita gente tem vergonha de mostrar. Discorda de mim? Use argumentos e participe deste meio de comunicação. Porque graças a ele muita gente tem a oportunidade de conhecer o que imbecis e babaquinhas como você não mostram e por isso chamam o povo de burro. Você diz sobre aumentar o meu ego. Você não sabe o quanto é prazeroso receber elogios. Como isto faz bem. Tenho certeza que ninguém nunca te elogiou. Você zombou de meu Poema de Internação. Não sabe como foi degradante ler o que escreveu sobre ele. Poderia criticar, sem problema, mas não ofender. Não sabe o que é ficar sofrendo por decorrências de tristezas que a vida me causou e dos erros que cometi pela deselegância e traumas de uma história que passei. Quando sua mãe estiver esquizofrênica ou depressiva por causa de um filho ignorante como você, saberá que a vida é muito mais além do que julgar. E você me atirou uma pedra na cara, mas que não vou devolver. Porque meu maior prazer é rir com os outros e desfrutar do que a vida tem de mais importante: o amor.

E qual o problema de eu visitar outros blogs? Você acha que espero respostas no meu? Visito os parceiros blogueiros porque admiro o trabalho deles. Não visito qualquer um. Tenho respeito e admiração por quem tem coragem de escrever o que pensa e o que sente. Se um cantor agradece ao público, também posso agradecer a quem me visita, me elogia e claro, me critica por ter uma visão diferente.

Por tua atitude encefálica, terei agora o prazer de apagar qualquer comentário seu aqui. Não é censura, é respeito. Porque não irei aceitar que meu espaço seja usado por pessoas como você. Porque você não me acrescenta em nada. E ao me chamar de idealizador frustrado e idiota está agredindo a todos os leitores que aqui compartilham e tenho admiração e reciprocidade. Aliás, qualquer comentário que ofenda a minha pessoa será excluído. Seja de você ou outro babaca. Se alguém aqui não concorde com o que escrevo, fale do texto e se baseie em repertórios para contestar e discutir, da mesma forma para o elogio. Qualquer desrespeito a comentários de outros leitores também será excluído. Porque há muita diferença entre liberdade de expressão e respeito.

Fica aqui o meu abraço a você, Arthur. Que ora usa Arthur Lemos, ora usa Arthur Lemmes. Ou seja, um fake que perde seu tempo comigo. E adoro perder meu tempo escrevendo. Porque escrever é um dos meus maiores prazeres e você não tem o direito de querer ferir minha pessoa e o que mais prezo depois do amor: minhas palavras. No mínimo é um imbecil que tem algo pessoal contra minha pessoa. Se tiver, me ligue, venha falar comigo. Ou faça um blog anti-marcelo. Garanto que meu ego irá só aumentar.

Aquele abraço

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De Marcelo Mayer

Para Arthur Lemos, ou Lemmes - rua dos Bobos, número zero

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Quinta-feira, Novembro 19, 2009

O retrato de quem não ama


Eu

Marcelo Mayer

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Eu não desejo que o tempo pare

Muito menos me sentir completo

Seja com sua metade ou com a sua ilusão

Prefiro eu por inteiro

Com minha mentira

Com minha verdade

Com o meu próprio tempo

Porque eu posso me ouvir

Posso me atrasar

E não me preocupar com meu jeito

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Eu não quero que você fale

Nem que de uma noite me faça o sexo

E muito menos te ver me enlouquecer

Jamais te dar um trago, um gole, um cinzeiro sujo

E Não quero mais discutir discos

E muito menos te emprestar alguns livros

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E nem pense em me xingar uma saudade

Porque não quero desarrumar a cama pra você

Porque quero arrumar um sofá só pra mim

E me esticar, me esticar e me esticar

E com minha cachaça quero que você se cale

Porque hoje tem jogo na TV

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Quarta-feira, Novembro 18, 2009

We are the world! We are the children!



Michael Collins e Buzz Aldrin, dois dos astronautas que participaram da missão Apollo 11, defenderam o lançamento de missões tripuladas ao planeta Marte. Exigiram do presidente Obama mais recursos para esta missão que é muito importante para a humanidade. No mínimo, um pouco mais de bilhões de dólares para tal conquista humana. Um ano atrás, cientistas em Genebra gastaram horas sem família, bilhões em dinheiro, dedicação para tecnologias super avançadas para recriar o Big Bang. Para que? Bom, enfim. O homem pode pisar na lua, achar água em algum satélite natural de Saturno e investir na estadia marciana, mas não pode achar Bin Laden. Podemos recriar o surgimento do universo, brincar de Deus, mas não podemos alimentar milhões de africanos. Deus este, que é defendido por Bento XVI. Este mesmo que tem um enorme banquete a sua espera toda manhã. Frutas, pães, sucos variados. E a fome? A seca? Ah sim, Deus está descansando no sétimo dia. Bem lembrado.

Os engajados também sofrem. George Harrison, o beatle, o espiritual, organizou nos anos 70 o Concerto para Bangladesh. Vários músicos como Bob Dyaln e Eric Clapton participaram dessa grande festa. Todo dinheiro arrecadado seria destinado para organizações que cuidam da miséria em Bangladesh. Ingressos todos vendidos e uma super produção para um documentário. Ual! Harrison não conseguiu pagar todos os músicos e este concerto teve prejuízo. Ninguém, eu disse NINGUÉM recebeu tal dinheiro. E por falar em um beatle, o que diria John Lennon sobre seu financiamento ao IRA? E não me venham com justificativas políticas e de libertação. A paz não é desculpa para a morte. O cara que ganhou o prêmio Nobel da paz é o mesmo cara que não vai tirar as tropas americanas do Iraque. Afinal, o que eles foram fazer lá? Ah! lembrei: bombardear fábricas de remédios e bairros residenciais. Bob Geldof é outro exemplo. Ele conseguiu algo mais difícil que salvar a África da fome com o seu show Live Aid: reunir o Pink Flioyd! Tá ai uma genialidade humana. Consegue reunir o Pink Floyd, mas não consegue arrecadar dinheiro para a pobreza.

E o ser-humano do dia-a-dia? Coloca a culpa em tudo. Em Deus, na natureza, no político, no futebol, na cachaça. Todo mundo quer lutar pelos direitos, mas nunca fazem os deveres. O estado de Santa Catarina (alguém se lembra?) sofreu uma das piores enchentes dos últimos cem anos e colocam a culpa na fúria da natureza. Ninguém comentou as construções irregulares, as barragens destruídas pelo concreto, do lixo nos rios, das árvores arrancadas das encostas. A mãe natureza é mesmo uma fera, né? Depois disso, o Brasil doa roupas, comida, abrigos para todos. Mas e a criança que mora na esquina de seu prédio, que sem dinheiro rouba e se prostitui para sustentar o vício em cola? Ela também não merece um abrigo, comida, um cobertor e um abraço para que ela saia desse abrigo? Ou quem sabe, uma doação de livros? Existe uma grande diferença entre desabrigado e trombadinha? Tem homem que espanca o homossexual e dorme com duas garotas, no caso, homossexuais. Compra um tênis de cem reais e diz não ir ao teatro porque o preço de cinco é fora de seu orçamento. E as pessoas que fumam maconha com a desculpa de transcender para um novo universo? Por que não dizem que fumam pra ficar malucos e ponto? Vamos admitir que bebemos muito para ficarmos chapados!

Nessas horas Deus, se ele existir, está de saco cheio. É tanto "graças a Deus" que dá pena do cara lá de cima. Por que ninguém assume que conseguiu por méritos próprios? Será um sonho realizado quando um jogador de futebol disser que "graças aos meus golaços o time ganhou. Eu sou foda, jogo pra caralho e ninguém pode comigo". Enquanto isso Michael jackson deve dois bilhões e todos acham ele um coitado. E agora depois de morto, é um santo. Eu devo menos de quinhentos reais pro banco e o SCPC não pára de me ligar.

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Terça-feira, Novembro 17, 2009

Hoje é dia de café

......Hoje estou ausente deste molho de moxico. Resolvi tomar um café em outro boteco e consultório. Sem mais palavras, hoje estou aqui: Fluoxetina com Café. Com açúcar ou adoçante. com receita ou atestado comprado, degustem.
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